A menina sereia
Gente, gostaria de propor uma atividade lúdica: brincar com um conto de fadas e perceber se este conto nos traz alguma informação do fundo da nossa alma para este momento.
Este conto é de origem espanhola e nos oferece reflexões sobre sonhos realizados, términos de ciclos e possíveis recompensas.
Regras :
- não tente entender o conto racionalmente, apenas ouça ou sinta a informação que ele lhe traz (se trouxer);
- procure ver que cada personagem ou animal representa uma característica, uma força poder da menina.
- entenda que o casamento representa a integração entre os princípios masculino e feminino existentes dentro dela mesma. Por isso, eles se casam e vivem felizes para sempre. ok?
Em outro momento, vou descrever o meu processo de compreensão desta leitura, ok? Logico, sem certo ou errado, cada um tem a sua compreensão que é muito válida.
Podemos começar? Você está pronto(a)?

Havia certa vez uma menina muito bonita, cujos pais satisfaziam todos os seus caprichos.
Um dia a mãe estava muito cansada e a menina se ofereceu para ajudá-la.
– O que posso fazer, mamãe?
A mãe surpreendida, lhe pediu que remendasse os buracos da rede. Quando estava prestes a acabar, um grande peixe saltou no ar. Ao vê-lo, a menina jogou a rede e o apanhou.
– Que peixe bonito! – exclamou.
– Por favor, não me mate – pediu o peixe – se você fizer isto, se transformará em peixe.
A menina correu para sua mãe:
– Mamãe, eu apanhei um peixe que fala! – gritou
– Devolve-o ao mar, sua maldição trará má sorte para nós.
Mas a menina insistiu em comê-lo e convenceu sua mãe a fritá-lo. Mas, assim que deu uma mordida, seu corpo começou a ficar frio.
Seus pais contemplaram horrorizados como ela ia se transformando em peixe e ao cair sobre a janela, com um olhar muito triste, a menina-peixe se jogou no mar.
Estava chorando quando um grupo de peixes passou ao seu lado. Todos eles sabiam o que havia acontecido, já que haviam passado pela mesma situação.
– Irmãzinha, venha conosco até ao palácio da Rainha – disseram.
– Ela os acompanhou pelas verdes profundezas do fundo do mar repletas de tesouros escondidos. E quase se esqueceu de seus problemas até que chegaram às muralhas de coral do palácio.
A chorosa menina-peixe contou à rainha a maldição que havia caído sobre ela.
– Eu também era uma mocinha – falou a rainha carinhosamente -, mas um gigante malvado me roubou a coroa e a colocou sobre a cabeça de sua filha. E como um passe de mágica, encantou o meu príncipe, fazendo-lhe crer que estava casado com sua filha, ao invés comigo. Não podendo suportar a injustiça, me joguei no mar. Minhas fiéis damas me seguiram, mas um bom mago, que havia visto tudo, se apiedou de nós e nos deu o dom de viver como sereias. E aqui permaneceremos até que a coroa seja recuperada.
– Oh, deixa-me ir buscá-la – disse a menina-peixe.
A rainha admirando sua valentia, lhe deu instruções.
– Para chegar até a montanha do gigante, precisará mudar de forma. Só tem que dar um pequeno golpe à sua frente e gritar o nome do animal que queira se transformar.
Quando a menina-peixe chegou à margem, disse:
– CERVO, venha a mim.
Transformada em cervo, entrou no bosque, mas logo um príncipe que estava caçando começou a persegui-la. Quando ele a capturou, ficou olhando seus olhos profundos e disse:
– Você deve ser uma donzela encantada.
O cervo não perdeu um segundo sequer e saiu correndo, abandonando o príncipe, deixando-o ferido de amor.
Chegou na montanha do gigante, em uma muralha que rodeava o castelo:
– FORMIGA, vem a mim – disse. E trepou pela muralha até no alto. Ali se transformou em MACACO e saltou dentro dos aposentos do gigante. Após se transformar em PAPAGAIO, puxou a manga do gigante adormecido e o acordou.
-Que demônios! Vou te torcer o pescoço – gritou o gigante.
– Matar-me não vai lhe ajudar em nada. Venho pela coroa – disse a menina-papagaio.
O gigante pensou um momento e logo aceitou trocar a coroa por um colar de pedras azuis da muralha da Cidade Grande.
A menina-papagaio concordou e abandonou o palácio. Se transformou em uma AGUIA, voltou à Cidade Grande e arrancou umas pedras azuis que adornavam a muralha. As uniu e regressou com um colar. Mas o gigante não estava satisfeito.
– Agora me traz uma coroa de estrelas – exigiu.
Quando ninguém a via, se transformou em um SAPO e olhou dentro de um lago cristalino. Ali reuniu as estrelas refletidas na água e fez uma cora com elas.
Transformada novamente em PAPAGAIO, presenteou o gigante com a celestial obra de arte. A beleza da coroa era tamanha que o gigante se comoveu até às lágrimas.
– A coroa é tua – disse finalmente.
Então ela voltou ao palácio submarino. As criaturas do mar, que já haviam perdido todas as esperanças, se reuniram para ver como a menina-peixe entregava a coroa para a rainha. Depois disso, nadaram até à superfície, perdendo seus rabos de peixe enquanto o faziam.
Regressaram ao antigo palácio da rainha, onde a impostora e seu marido há muito tempo estavam mortos. Mas seu filho, que era príncipe quando ela desapareceu, agora era o rei. O encontrou sentado cabisbaixo junto aos jardins.
– O que te atormenta? – perguntou a mãe ternamente.
– Estou enamorado de um cervo – exclamou o Rei.
– Ah, é isso? – riu a rainha.
Levou seu filho até a menina-peixe, que se havia transformado em uma linda moça no decorrer de suas aventuras. Quando o rei olhou para os olhos dela, reconheceu os olhos do cervo que havia encontrado no bosque.
E logo se casaram e foram muito felizes.
Um abraço
@soniasimbolos
Qual foi a sua percepção?
Referência:
HUNT, Lisa – Érase una vez…

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